Empresário de Blumenau descobre que funcionário é o irmão perdido há 31 anos

Eles se deram conta dos laços fraternos quando estavam a caminho de uma viagem a trabalho e começaram a contar histórias de suas vidas.

Antonio Nunes, 35, cresceu sabendo que tinha dois irmãos mais novos perdidos em Blumenau. A mãe entregou os filhos para adoção logo após o nascimento, nos anos 1980, porque não tinha condição de criá-los. Por ser o mais velho, Antonio ficou com a avó.

Foi ela que contou a história da família a Tonho, como é conhecido. Porém, a única informação que o empresário tinha era a data de nascimento dos rapazes. Nem os nomes dos irmãos ele sabia. Embora sempre tenha mantido contato com a mãe biológica, a relação nunca foi de proximidade.

Tonho lembrou que conhecia a mulher responsável por intermediar a relação entre a mãe biológica e a família adotiva. Procurou a cabeleireira, mas ela já não tinha contato com o casal, apenas lembrava o nome do pai adotivo: João.

A mulher deu outra pista: havia encontrado o irmão desconhecido numa seção de votação do Cedup na eleição de 2016. Ou seja, ele ainda morava em Blumenau. Provavelmente, na região da Escola Agrícola.

Apesar da esperança renovada, o tempo passou e os irmãos não se reencontraram. Até um acaso acontecer.

Um velho amigo

Antonio Nunes possui uma revenda de gás no bairro da Velha, a Tonho Gás, e em uma de suas muitas entregas conheceu Maicon Luciani, conferente de uma empresa cliente. Após quase uma década se encontrando regularmente, os dois viraram amigos.

No fim de 2018, Tonho abriu o Facebook e viu que Maicon estava procurando emprego. Entrou em contato e ofereceu uma vaga na empresa. O amigo virou funcionário em janeiro deste ano.

Na semana passada, Antonio precisou viajar a Araucária (PR) para buscar um funcionário. Convidou Maicon para ir junto e conhecer toda a operação do engarrafamento e carregamento de gás, como costuma fazer com os empregados novos.

Durante a viagem, Tonho reparou que Maicon tinha um cacoete parecido com o de um tio. Ele pegava no sono sem perceber. Ao ouvir a história do amigo, Maicon chegou a brincar dizendo que eles poderiam ser parentes distantes.

“Gordo, tu és meu irmão, cara”

Na viagem de volta, na quinta-feira, 14, os dois amigos e o funcionário que estava no Paraná, Fábio Riffel, conversavam sobre o passado dos três. Tonho não havia mencionado que procurava um irmão, porém, Maicon comentou que o sobrenome de sua família biológica era Nunes.

Tonho olhou para Fábio, que já conhecia a história, e ambos chegaram à mesma conclusão. Sem perceber o que estava acontecendo, Maicon começou a contar detalhes de sua trajetória. Inclusive que a adoção havia sido intermediada por uma cabeleireira que trabalhava na antiga rodoviária.

“Nesse momento eu olhei pra ele e falei: ‘Gordo, tu és meu irmão, cara’. E ele achou que eu estava louco. Eu perguntei: ‘O nome do teu pai não era João? Tu não conheceu a cabeleireira no Cedup no dia das eleições?’ E a história fechou”, conta Tonho.

Segundo Maicon, só quando o irmão deu todos os detalhes ele acreditou na possibilidade. Porém, só compreendeu de verdade o que havia acontecido no dia seguinte.

“Eu sabia que tinha dois irmãos e uma mãe, mas nunca fui atrás. Descobrir que meu chefe é meu irmão foi um susto muito grande”, relembra.

A primeira pessoa para quem Tonho ligou foi Jefferson. A mãe adotiva de Maicon logo encontrou a certidão de nascimento do filho para confirmar o que os irmãos já sabiam: a família finalmente estava completa.

Entre muitas conversas, eles descobriram ter vários amigos em comum. Tonho sempre viveu na Vila Nova, enquanto Maicon estava bem ao lado, na Escola Agrícola. Jefferson cresceu no Testo Salto. No fim de semana, a família fez o primeiro churrasco.

“Agora é uma vida nova. Estamos nos adaptando, pois ainda é tudo muito recente. A vida é uma caixinha de surpresas”, celebra Tonho.

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